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Uma vontade em comum que leva a cumplicidade

Basta abrir a janela do meu quarto numa manhã de quarta-feira que vou notar, em meio as árvores do Largo do Pará – que fica entre as ruas Francisco Glicério e Barão de Jaguará no centro de Campinas –, um grupo de pessoas fazendo alongamento ou algum tipo de ginástica.

Corriqueiramente seria assim, uma observação distante e pouco interessada, típica de quem acha que conhece exatamente o que acontece por ali – e que aquele grupo de pessoas se exercitando não tem nada de interessante para ser descoberto. Um pensamento etnocentrista.

Na última quarta-feira, dia 11 de junho, decidi me atentar um pouco mais àquilo, e dessa vez não como um espectador de janela que fica há 12 andares de altura. Desci e me acomodei em um dos diversos bancos que existem na praça. O grupo de atividades de alongamento e ginástica é promovido pelo centro de saúde da região central de Campinas, e pode ser freqüentado por qualquer pessoa que queira começar o dia com um pouco menos de preguiça.

Minha surpresa ao observar os participantes foi perceber que o grupo parece restringido a pessoas da terceira idade, que se reúnem ali formando um pequeno grupo social. Percebe-se rapidamente que existe uma cumplicidade entre eles, e é bem provável que isso ocorra pela percepção geral de que todos presentes se inserem num mesmo grupo – um grupo além daquele de pessoas que gostam de se exercitar pela manhã.

Depois de observar alguns minutos, a atividade chegou ao fim. Me dirigi a uma senhora, cujo nome confesso que nem cheguei a perguntar, e questionei se ela se sentia melhor praticando as atividades com pessoas que possuíam a mesma faixa de idade que a dela. A resposta foi pontual: “Sim, é bom saber que todos aqui se exercitam por um motivo comum, que o de preservar a saúde e ter um dia-dia melhor.”.

Um nocaute no lugar-comum

Elas têm de 58 a 87 anos de idade, treinam boxe duas vezes por semana e dizem que isso as torna mais jovens



A rotina das senhoras de Rio Grande da Serra, a 40 quilômetros da capital paulista, se assemelha à das pessoas acostumadas a viver em cidades pequenas. A maioria delas se conhece pelo primeiro nome, compra fiado na quitanda e passa o tempo falando sobre novelas, filhos e netos. Tudo isso muda quando as pacatas moradoras da cidade entram no ringue para praticar um esporte que exige força, agilidade e concentração: o boxe. Duas vezes por semana, um grupo de 190 mulheres, com idade entre 58 e 87 anos, veste suas luvas e parte para a troca de socos, em aulas com uma hora de duração. No ginásio, enquanto treinam, parecem esquecer a idade. Dão cruzados e ganchos com vontade. “O pessoal da cidade até passou a me respeitar mais depois que comecei a lutar”, diz Maria Luzia de Jesus Amaro, de 77 anos.

O boxe entrou na vida de Maria Luzia há quatro anos. Mineira, ela se mudou para São Paulo, onde acabaria morando a maior parte da vida, para trabalhar na área administrativa de um colégio tradicional da cidade. Depois de se aposentar, passou a cuidar da mãe, hoje com 95 anos, e de uma irmã, que tem uma deficiência mental. Maria Luzia acredita que os exercícios a ajudam no dia-a-dia. “É bom tanto na parte física quanto no lado emocional.” Ativa, ela não aparenta a idade que tem. Além das aulas de boxe, ela também faz ginástica regularmente. E acredita que o esporte a mantém jovem. “Não me acho velha”, diz.

Benedita Pereira Natale, de 70 anos, é uma senhora miúda, com cabelos completamente brancos e dona de uma energia incrível. Benedita treina há mais de um ano e diz que desde que começou nunca faltou às aulas. O esporte dá ainda mais fôlego para a vovó fazer suas atividades. “Eu nunca paro em casa. Adoro sair, praticar esportes, andar, falar com os vizinhos”, afirma. Benedita mora em Rio Grande da Serra há 36 anos e tem quatro filhos. O caçula, de 46, é quem mais incentiva a mãe a treinar seus jabs.

A entrada dessas mulheres no boxe só aconteceu pela teimosia do lutador e treinador Ailton Pessoa de Lima. Há oito anos, ele teve a iniciativa de ensinar o esporte de graça a mulheres da terceira idade. Não havia nenhum projeto social voltado a esse grupo na cidade. “Eu sentia que as pessoas mais velhas não eram valorizadas e tive vontade de fazer algo por elas”, diz. Nenhuma das alunas de Lima escolheu o boxe pelo histórico na família, como ocorreu com Laila Ali, a mais nova entre os nove filhos de Muhammad Ali e campeã mundial de boxe feminino entre os pesos médios. Na verdade, o professor teve de mostrar gingado para convencer as senhoras de Rio Grande da Serra. “Eu disse a elas que daria aulas de alongamento e de ginástica.” No dia marcado, ele apareceu com luvas de boxe e sacos de pancadas. As 13 alunas que ele havia reunido acharam a idéia divertida. Com o passar do tempo, a classe começou a ficar cheia. As mulheres gostavam tanto do professor que faziam fila para dar um beijinho nele antes da aula. “Algumas chegavam a pegar a fila de novo para ganhar mais um beijo”, diz Lima. “Essas velhinhas têm muito carinho para dar”.

Pouco mais de um ano depois, e encorajado pelo boca a boca que atraía cada vez mais alunas, o treinador convenceu a Prefeitura a investir nas aulas. Conseguiu autorização para usar a quadra municipal de esportes. Hoje, as 190 idosas que treinam são registradas, passam por avaliação médica antes de iniciar o treinamento e têm acompanhamento clínico para evitar problemas de saúde.

No início do treino, as alunas fazem alongamento, seguido de chutes e socos no ar. Depois, elas formam duplas para treinar ganchos e pancadas entre si. No final, quem consegue faz uma sessão de agachamento. No meio da aula, Lima faz uma pausa para que as alunas, de mãos dadas, rezem o pai-nosso. Todas as terças e quintas-feiras, às 8 horas da manhã, elas lotam o ginásio. Estão sempre com uma disposição e alegria invejáveis.

Solta o som DJ! Só que tem que ser no ritmo do bolero…

A nossa história começa com dois personagens.

Ela, Rosária Sanches, 76, viúva á dois anos, olhos castanhos, cabelos loiros, lisos e curtos.

Ele, Raimundo Souza, 75, viúvo á quatro anos, olhos azuis, cabelos brancos na parte inferior da cabeça e careca na parte superior.

E foi aos passos do bolero que esses dois personagens se conheceram. Tudo começou com um trocar de olhares, depois veio uma dança, duas, três, quatro… E com um beijo as duas histórias, viraram uma só.

“Ele não parava de me chamar para dançar, gostou de dançar comigo” – Lembra Rosária. “No começo as pessoas achavam estranho, hoje, depois de conhecerem o Raimundo, eles aceitam melhor”- Conta ela.

O namoro na terceira idade pode parecer estranho para as pessoas que pararam no tempo. Estereótipos como cadeira de balanço, as casas de bingo e o banco da praça podem atrapalhar quem quer ir um pouco além. Essa opção não é fácil de ser escolhida, afinal jovens e adultos, infelizmente, ainda têm muito preconceito quando ficam sabendo que a vovó “ficou” com alguém no baile da terceira idade.

“Foi estranho quando fiquei sabendo que a minha vó tinha “ficado”. Agente sempre acha que não existe isso nessa idade, que eles já pulam direto para o namoro” – Disse Gabriela, 23 anos, neta da Rosária Sanches.

Em entrevista à revista Viva Saúde, a psicóloga Mariuza Pregnolato conta que o namoro na terceira idade faz muito bem.

“Namorar faz bem em todas as idades, mas na terceira idade é melhor ainda, por inúmeros motivos. É tão difundido o tabu de que amor e sexo são para os jovens, que as pessoas, mesmo os casais, acabam se convencendo disso. O resultado é que, à medida que o tempo vai passando, começam a usar sua idade avançada para justificar o tédio, suas doenças e dificuldades nos relacionamentos afetivos e sexuais: A mulher deixa de lubrificar e o ato sexual torna-se desconfortável ou doloroso, enquanto o homem começa a perder ou não conseguir manter a ereção. Vão perdendo o interesse na vida sexual e ambos culpam a idade por isso. No entanto, quando o idoso se apaixona, tudo muda: o corpo responde imediatamente à estimulação da paixão, reagindo naturalmente: a mulher volta a excitar-se, lubrificando abundantemente e o homem depara-se com um desejo constante e o retorno de suas ereções. Em minha prática clínica tenho testemunhado muitas “mágicas” fisiológicas desse tipo e, a que mais gosto, dita recentemente por uma paciente minha: “Se eu tivesse encontrado ele (seu amante) há mais tempo, sei que não teria ficado doente, não teria tido nada daquela seqüência de problemas de saúde, porque era pura falta de paixão, falta de tesão”. Resumindo, namorar na terceira idade, é bom em todos os sentidos: revigora, revitaliza, embeleza, motiva, envaidece, aumenta a auto-estima e o desejo de cuidar-se para o outro; rejuvenesce e deixa a vida cor-de-rosa como na adolescência, só que com licença, autonomia e consciência, livre das preocupações e medos de então.”

Tanto para Rosária, quanto para Raimundo, o namoro hoje é muito melhor que antigamente.

“A liberdade de hoje deixa o namoro mais gostoso. A paixão e o companheirismo têm que ser meio a meio”. Falou Raimundo.

Para os dois o baile teve uma participação muito importante nessa história. Sem essa iniciativa, eles jamais teriam se conhecido. Para Raimundo todos deveriam freqüentar aos bailes.

“Estou vivo, minha filha (risos). Quem fica em casa não sabe o que está perdendo, principalmente de sábado” – Enfatizou Raimundo.

Cada vez mais idosos buscam formas e lugares para se divertir e deixam de lado o preconceito e a impaciência. A moda agora, é viver.

O baile da terceira idade acontece duas vezes na semana de terça das 14h30minh às 20hs e aos sábados das 14 às 18 horas. O ambiente é animado e a pista fica cheia. O objetivo é se dançar, conversar e distrair-se.

“Normalmente somos nós que chamamos as mulheres para dançar, mas às vezes, elas cansam de esperar e tomam a atitude. È bem legal!” – Disse Antonio Luiz, um dos participantes do baile.

Mas não tinha apenas idosos no evento, alguns mais jovens também estavam ali acompanhando todo o movimento e divertindo-se com a alegria dos que estavam ali.

“Não é sempre que venho. Primeiro eu vim para acompanhar o meu avô, mas naquele dia eu me diverti tanto que, quando eu posso, eu venho com ele” – Disse Pietro Santos, 24 anos, neto de Antonio Luiz.

“Acho que faz muito bem para ele, sempre volta animado” – Completou Pietro.

Para Rosária e Raimundo o baile foi muito mais que um dia de diversão, trouxe mais vida para o casal que completou cinco anos de namoro (mas que ambos gostam de falar companheiro). “Ainda bem que eu fui naquele baile, já pensou” – Contou Rosária olhando para Raimundo.

Dançar, sorrir e amar faz bem a qualquer um, principalmente se esta pessoa já viveu bastante e tem muita história para contar… Ai, a festa não tem hora pra acabar!

Mariuza Pregnolato é psicóloga clínica e pesquisadora do comportamento. Possui especialização em Psicologia Analítica pelo Instituto Sedes Sapientiae e em Análise Comportamental pela Universidade de São Paulo.

Visita ao Lar dos Velhinhos

O Lar dos Velhinhos de Campinas é uma entidade denominada como uma associação civil, assistencial, beneficente e filantrópica, sem fins lucrativos, destinada a prestar assistência às pessoas idosas carentes, na cidade de Campinas, com profissionais especializados nas áreas de Gerontologia Social e Geriatria.

A visita que fizemos a essa associação foi uma experiência estranha, pois mexeu muito com os nossos sentimentos, a começar pela recepção pelos próprios funcionários da entidade, que nos atenderam com desconfiança e não aprofundaram nas informações, o que nos percebemos naquele dia é que existe duas alas na instituição, uma para idosos carentes e outra para idosos que pagam mensalidades, pelo que percebi ficamos na ala particular, onde esperávamos encontrar um espaço cheio de velhinhos amigos jogando xadrez, lendo livros e tricotando…Mas não foi bem assim pois já nos primeiros passos sentimos um ambiente quieto, a sensação é que todos estavam dormindo mesmo estando acordados… Eles estavam ali, mas pareciam desligados do mundo. Alguns sorriam para nós, outros indiferentes ou mesmo irritados.

Pelo o que coletamos, o lar dos velhinhos atende cerca de 160 idosos carentes de ambos os sexos, com atendimento integral em saúde, reabilitação psicológica, recreativa e social.

O lar dos velhinhos sempre recebeu profissionais iniciantes nas áreas de Gerontologia Social e Geriatria para a formação e aperfeiçoamento. Mesmo com tanta assistência, o sentimento permanecc o de abandono… Os profissionais são pacientes e cuidadosos, mas é triste ver uma pessoa que passou por tantas coisas na vida, enfrentou tantas dificuldades, lutou tanto para conquistar um espaço… Estar no final da vida em um lugar frio e gelado, sem seus parentes e amigos.

È estranho ver em cada olhar uma movimentação da história, ver através da pele uma vida e agora ela está estacionada como se esperasse alguma coisa acontecer, esperar o fim da vida.

O que podemos observar também é que o idoso, parece esperar sobre uma solução final para sua vida, a rotina das atividades é intensa e triste, as atitudes e sua conversas entre eles, me pareceram sem sentido de vida, sem amor, sem paixão. Acomodados pela a vida que tem sem perspectiva de mudança e vontade de mudar.

Em relação ao espaço que esse idosos vivem, eu não tenho muito a colocar, recebemos um atendimento normal da assistente social Vanessa e percebemos que eles cuidam muito bem de seus associados.

A entidade foi uma das 50 vencedoras da 10ª edição do prêmio Bem Eficiente 2006 – prêmio que é o maior reconhecimento para o terceiro setor, o qual já foi ganho pelo Lar dos Velhinhos de Campinas nas edições de 2000 e 1997.

Ela se mantém com poucas verbas oficiais e o restante é coberto com promoções, bazar beneficente, doações, sócios contribuintes e pensionistas.

Idosos movimenta corpo em projeto

A disposição é de um atleta de 20 anos. A força de vontade também. E o desejo de manter a saúde em dia e, ao mesmo tempo, fazer amigos e manter uma atividade social é o que leva essas pessoas a praticar esportes como atividade lúdica e divertida. E é isso que buscam os participantes do Projeto Melhor Idade.

Pelo menos duas vezes por semana, homens e mulheres com mais de 50 anos malham, suam a camisa no vôlei adaptado e se divertem nos jogos de dama e de tranca. Elas preferem manter a forma na ginástica. Eles

gostam de competir na bocha ou na malha.

“Os nossos atletas amadores de 3ª Idade buscam melhorar o índice de saúde, melhorar a capacidade física e de interagir com outras pessoas, o que acaba melhorando também até a saúde mental, evitando a solidão e

a depressão”, disse o coordenador do Projeto Melhor Idade do Departamento de Esportes de Campinas, Danilo Ciaco Nunes.

Ali o problema não é a idade, pelo contrario ela só ajuda. No rosto de cada idoso, castigado pelo tempo de trabalho, é fácil de visualizar a alegria, e o grande sorriso. Todos tem disposição de sobra para praticar todas as modalidades e eventos programados. Não reclamam de nada, pelo contrario, querem sempre mais.

“Minha vida melhorou muito depois que comecei a vir no projeto”, diz senhor Jorge, 60 anos. Já dona Maria, acredita não conseguir mais ficar sem praticar exercícios. “Agora tenho que manter meu corpo em movimento”, brinca.

Quem disse que idosos não comemoram Dia dos Namorados

Quem nunca ouviu que o tempo voa, quando se vê já passou vários anos. Mas essa não é visão do casal Luis Pedro e Josefa, ambos acreditam que o tempo passou no seu devido tempo. Os anos foram virando, mas todos foram aproveitados. Com seus recém completados 52 anos de casamentos, os dois ainda cultivam a data dos namorados.

“Quando é Dia dos Namorados, ou aniversario de casamento, a gente sempre faz alguma coisa especial”, relata Luis. Geralmente Josefa faz um almoço especial. O dia é sempre para os dois. Logo ao amanhecer, é feita a caminhada, que já é rotina para eles. Na volta tomam café-da-manhã, e preparam-se para o dia.

Durante anos Seo Luis trabalhava todo dia. Levantava às 5 horas da manhã. Dona Josefa ficava em casa para preparar tudo, almoço, limpava e roupa limpa. Hoje, aposentado por tempo de serviço e depois de brigar para conseguir, tudo por não ter tido carteira assinada.

Nos dias especiais, o almoço é feito com todo o carinho. No ano anterior, tinha sido carne assada, legumes, arroz, feijão e batata frita. Vale ressaltar a memória de Dona Josefa que sempre lembra de tudo.

Depois do almoço é feito um passeio pelo parque da cidade. Caminham de mãos dadas, sem a preocupação de voltar para casa. E aproveitando o descanso merecido depois de anos de trabalho duro.

Na volta para casa, começa a preparação para o jantar. Segundo Dona Josefa há três anos ela fez a luz de velas, e quer repetir na próxima data. “Eu gosto de coisas românticas. No jantar, a comida tem que ser mais leve. Já não temos a mesma idade para abusar”, diz Josefa.

Nunca deixam nenhum assunto passar em branco. Tudo que ouvem vira conversa, e de vez em quando até discussões. Mas é depois do jantar o melhor momento. Segundo eles, vão dormir de mãos dadas e dormem abraçados. “Agradeço todos os dias à Deus, por ter me dado um marido tão bom”, confessa Josefa.

Manter a memória ativa é um dos pontos mais importantes para um bom desempenho intelectual

Envelhecer era sinônimo de perda e isolamento social. Ainda que tenha mudanças fisiológicas, hoje o envelhecimento não é encarado como um declínio, mas como uma idade capaz de manter-se ativa intelectualmente e socialmente. A consciência e a vontade de permanecer ativa, faz a terceira idade buscar atividades que as mantêm na sociedade, uma das formas encontradas é à volta para as salas de aulas.

Segundo Elizandra Villela, mestre em gerontologia, uma vez que a pessoa continua produtiva, estimulando o cérebro, ela mantem independências funcionais, capazes de realizar o seu auto cuidado. Isso faz com que tenham mais força para enfrentar os desafios da vida e suas condições de saúde. “Por mais que a pessoa tenha algumas perdas neuronais, o mais importante é a comunicação entre eles, é o percurso cognitivo e intelectual que a pessoa faz, por isso que é importante a pessoa se manter ativa” – Contou Elizandra.

Para Lucy Oliveira, o aprender não tem limites. Aos 48 anos, viúva e com seis filhos, ela resolveu fazer uma faculdade de pedagogia. “Eu resolvi voltar a estudar, pois sem experiência nenhuma de trabalho, eu tinha que ter mais estudo” – Afirmou ela. Hoje aos 70 anos, aposentada á um ano, faz natação, computação e acabou de se inscrever em um curso que aprenderá a arte de contar histórias para deficientes visuais. “Agora não necessariamente com o objetivo de trabalhar para ganhar dinheiro, porque eu tenho a minha aposentadoria, mas de continuar fazendo parte da população que produz, que colabora” – disse ela.

Manter a memória ativa na velhice é um dos pontos mais importantes para um bom desempenho intelectual. “A leitura é muito importante, principalmente leitura de livros de ficção, porque a pessoa imagina aquela cena na mente dela e ela exercita muita a imaginação”.- explica a gerontóloga.

Segundo o IBGE, hoje totaliza quase 15 milhões de pessoas idosas no país, a estimativa para os próximos 20 anos é de que esta população poderá exceder 30 milhões de pessoas. Cresce também o numero de cursos para atender a essa demanda, é o caso da Universidade da Terceira Idade desenvolvida pela PUC-Campinas, já conta com 2400 alunos desde 1990 e tem como objetivo estimular a reinserção social. Jeanete Liasch, coordenadora do projeto afirma que os alunos não buscam a universidade para se inserir no mercado de trabalho, mas para buscar sua valorização enquanto cidadão. “Ele precisa se sentir útil, ele precisa ser produtivo, mas do ponto de vista cultural, do ponto de vista social”. – conclui ela.

O corpo envelhece, mas a sensação de vencer obstáculos fica maior de acordo com os limites. “Vitória” é a palavra escolhida por Lucy.


Grupo de trabalho

Breno Queiroz
Ewerton Silva
Leandro Filippi
Michelle Occiuzi
Murillo Nascimento
Paulo Passini