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Vovôs e vovós tocando o barco na igreja

Desde que minha mãe me gerava em seu ventre participo dos eventos católicos, na paróquia Santa Edwiges, no jardim Aurélia. Sozinho, comecei a participar da catequese, que foram três anos. Após esse período, fui para a infância missionária que depois passou a ser juventude missionária. Com meus 16 anos, fui para o grupo de jovens da paróquia. E uma coisa que percebi, foi que sempre tivemos se não coordenadores, assessores adultos e na maioria das vezes idosos. Por tanto, resolvi saber por que isso é um elemento, percentualmente, alto.

Comecei a conversar com os praticantes acima de 60 anos e os com idade inferior a isso. Percebi que estes da 3ª idade, são realmente praticantes. Que não assumem somente um trabalho e sim vários. Vou dividir por faixa etária para ficar mais compreensível. Conversando com os jovens, que classifiquei de 18 a 30 anos, que é a idade onde começam a assumir os trabalhos. Estes assumem um compromisso e dão duro para dar conta, pois é uma fase onde estão preocupados com a vida acadêmica, ou em entrar em uma boa universidade ou em começar a constituir uma família, com isto é difícil ter muitos trabalhos na igreja. Em alguns casos, costumam até dar uma afastada da religião, com o motivo de que não terem tempo.

Já com os adultos de 30 a 60 anos, que é a idade onde voltam a participar ativamente e continuam com um compromisso “leve”, alguns assumem mais responsabilidade, mas são poucos. Depois dos 50, aí sim a tendência é de aumentar o a vida comunitária na igreja.

Quando alcançam seu “sessentão”, os que continuam na paróquia, que são muitos, assumem com força duas ou mais pastorais. E pode se dizer que, com o apoio do sacerdote, levam a frente os bons trabalhos das pastorais. Com certeza concluo que isto se dá pelo tempo que os mesmos possuem, por que a maior parte deles, já está aposentado e não gostam de ficar em casa com tempo ócio, e aproveitam est tempo para ir ajudar na paróquia, acreditando na melhor vida social que pode se ter e proporcionar a seus filhos e netos.

Claro que os “avôs” (palavra que com carinhos os mais novos costumam chamá-los) contam com a ajuda dos mais novos nos finais de semana, ou no meio de semana, quando podem. Mas a presença dos vovôs e vovós já é certa para “tocar o barco”.

Análise realizada na paróquia Santa Edwiges

Idosos na missa de domingo

Hoje decidi ir para a missa de domingo com um olhar diferente: Como os “velhinhos” se comportam nesse ambiente?

Quando eu era criança ir a missa era uma chatice. Eu não suportava a idéia de ficar levantando e sentando todas as vezes que o padre pedia, além disso, não tinham crianças para eu brincar, apenas eu e as minhas duas irmãs (mas que quando, uma tentava “cutucar” a outra, a minha mãe colocava o dedo dividindo os lábios em dois e fazia cara feia…como se dissesse “fica quieta, menina!”), portanto a única coisa que eu podia fazer…era observar. E o que sempre me chamou atenção, foi à quantidade de velhinhos que tem dentro daquele espaço.

Foi esse o pensamento que eu tive quando entrei na igreja “Nossa Senhora Desatadora dos Nós”, aqui em Campinas.

Como o meu objetivo ali era observar, me senti novamente aquela criança que fica de boca fechada, com os olhos agitados. Só que dessa vez eu tinha um objetivo. Porque que igreja é um dos lugares “oficiais” dos idosos?

Percebi que todos entravam em silencio e, aparentemente, tratavam a religião com muito mais fé e importância que qualquer adulto, jovens e crianças.

A minha reflexão chegou a uma conclusão simplificada, mas vou dividi-la com vocês:

“Eles passam por muitos momentos de conquista, mas também por muitos momentos difíceis. È do ser humano procurar a religião nos momentos mais complicados da vida: quando estamos desempregados, desiludidos, desesperados, com uma saúde ruim, quando perdemos alguém que amávamos muito.

Aliais ser idoso não deve ser fácil, pois quanto mais velho você fica, mais você vê pessoas que ama muito falecer. E quando agente perde essa pessoa querida, a religião é uma mão muito forte que ajuda a manter-te em pé. Da mesma forma acontece com a saúde, o corpo, quando se chega à terceira idade, não é mais o mesmo… Muitas doenças aparecem e o medo da morte deve surgir com mais freqüência, mesmo que inconscientemente. Portanto acredito que ao longo da vida, os idosos vão se apegando mais ao mundo religioso, sentem mais necessidade em encontrar-se com uma pessoa sagrada para pedir perdão, para se sentirem próximos aos que já não estão mais aqui ou simplesmente para agradecer por alguma conquista alcançada”

Bom…Vamos voltar as minhas observações…

A maioria deles chega acompanhada de uma pessoa mais jovem que eles. Lentamente, eles saem dos carros e com passos suaves e lentos sobem a rampa que dá acesso à igreja. No meio do caminho, param em uma lojinha que vende velas, imagens, livros, etc. Compram uma velhinha e retornam a longa caminhada até a porta da igreja. Alguns, na lojinha, compravam colarzinhos, pulseiras, crucifixos para presentear alguém especial, pois a moça que os atendia, do outro lado do balcão, embrulhava essas pequenas lembrançinhas para presente.

Ao entrarem pela porta, esforçam-se para dobrar um pouquinho os joelhos, fazem o sinal da cruz, levantam e escolhem um lugar em que se sintam confortáveis.

No decorrer da missa, levantam e sentam sem reclamar… Acreditam no porque estão ali e se esforçam para cumprir com todas as atividades.

Nesse ambiente eles são cordiais, amorosos e receptivos… Para todos que olhavam para mim, eu inclinava a cabeça e fornecia um sorriso de admiração… Eles retribuíam mesmo com muita dificuldade em andar.

Na hora da hóstia eles enfrentavam as filas com as mãos unidas uma a outra e com o olhar para baixo, mostrando o respeito por aquele local, depois voltavam para os seus lugares e raramente eles ajoelhavam para rezar… A maioria sentava e rezava, sempre com muita fé.

No final da missa, voltam aos seus carros e silenciosamente vão embora. Alguns ainda permanecem dentro da igreja para falar particularmente com o padre, outros vão até o sanitário e muitos param novamente na lojinha ou no restaurante que tem dentro do prédio.

As missas nem sempre são realizadas ali, na maioria das vezes ela acontece no novo prédio que a paróquia está construindo com o dinheiro arrecadado gentilmente pelos idosos que, em sua maioria, contribuem para manter aquelas portas sempre abertas.

Para todos que freqüentam esse local sagrado, ou pela existência de Deus ou pela fé e esperança que ali circula e permanece sempre, esse evento parece único, pois é naquele ambiente em que as pessoas vão para pedir, agradecer, orar, refletir.

Para essas pessoas que já viveram, no mínimo, sessenta anos de idade… A igreja parece ser muito mais que um espaço religioso… Ela parece ser um reencontro, uma salvação.

Dia da missa: 25/05/2008
Local: Igreja da Nossa Senhora Desatadora dos Nós – Campinas


Grupo de trabalho

Breno Queiroz
Ewerton Silva
Leandro Filippi
Michelle Occiuzi
Murillo Nascimento
Paulo Passini