
Hoje decidi ir para a missa de domingo com um olhar diferente: Como os “velhinhos” se comportam nesse ambiente?
Quando eu era criança ir a missa era uma chatice. Eu não suportava a idéia de ficar levantando e sentando todas as vezes que o padre pedia, além disso, não tinham crianças para eu brincar, apenas eu e as minhas duas irmãs (mas que quando, uma tentava “cutucar” a outra, a minha mãe colocava o dedo dividindo os lábios em dois e fazia cara feia…como se dissesse “fica quieta, menina!”), portanto a única coisa que eu podia fazer…era observar. E o que sempre me chamou atenção, foi à quantidade de velhinhos que tem dentro daquele espaço.
Foi esse o pensamento que eu tive quando entrei na igreja “Nossa Senhora Desatadora dos Nós”, aqui em Campinas.
Como o meu objetivo ali era observar, me senti novamente aquela criança que fica de boca fechada, com os olhos agitados. Só que dessa vez eu tinha um objetivo. Porque que igreja é um dos lugares “oficiais” dos idosos?
Percebi que todos entravam em silencio e, aparentemente, tratavam a religião com muito mais fé e importância que qualquer adulto, jovens e crianças.
A minha reflexão chegou a uma conclusão simplificada, mas vou dividi-la com vocês:
“Eles passam por muitos momentos de conquista, mas também por muitos momentos difíceis. È do ser humano procurar a religião nos momentos mais complicados da vida: quando estamos desempregados, desiludidos, desesperados, com uma saúde ruim, quando perdemos alguém que amávamos muito.
Aliais ser idoso não deve ser fácil, pois quanto mais velho você fica, mais você vê pessoas que ama muito falecer. E quando agente perde essa pessoa querida, a religião é uma mão muito forte que ajuda a manter-te em pé. Da mesma forma acontece com a saúde, o corpo, quando se chega à terceira idade, não é mais o mesmo… Muitas doenças aparecem e o medo da morte deve surgir com mais freqüência, mesmo que inconscientemente. Portanto acredito que ao longo da vida, os idosos vão se apegando mais ao mundo religioso, sentem mais necessidade em encontrar-se com uma pessoa sagrada para pedir perdão, para se sentirem próximos aos que já não estão mais aqui ou simplesmente para agradecer por alguma conquista alcançada”
Bom…Vamos voltar as minhas observações…
A maioria deles chega acompanhada de uma pessoa mais jovem que eles. Lentamente, eles saem dos carros e com passos suaves e lentos sobem a rampa que dá acesso à igreja. No meio do caminho, param em uma lojinha que vende velas, imagens, livros, etc. Compram uma velhinha e retornam a longa caminhada até a porta da igreja. Alguns, na lojinha, compravam colarzinhos, pulseiras, crucifixos para presentear alguém especial, pois a moça que os atendia, do outro lado do balcão, embrulhava essas pequenas lembrançinhas para presente.
Ao entrarem pela porta, esforçam-se para dobrar um pouquinho os joelhos, fazem o sinal da cruz, levantam e escolhem um lugar em que se sintam confortáveis.
No decorrer da missa, levantam e sentam sem reclamar… Acreditam no porque estão ali e se esforçam para cumprir com todas as atividades.
Nesse ambiente eles são cordiais, amorosos e receptivos… Para todos que olhavam para mim, eu inclinava a cabeça e fornecia um sorriso de admiração… Eles retribuíam mesmo com muita dificuldade em andar.
Na hora da hóstia eles enfrentavam as filas com as mãos unidas uma a outra e com o olhar para baixo, mostrando o respeito por aquele local, depois voltavam para os seus lugares e raramente eles ajoelhavam para rezar… A maioria sentava e rezava, sempre com muita fé.
No final da missa, voltam aos seus carros e silenciosamente vão embora. Alguns ainda permanecem dentro da igreja para falar particularmente com o padre, outros vão até o sanitário e muitos param novamente na lojinha ou no restaurante que tem dentro do prédio.
As missas nem sempre são realizadas ali, na maioria das vezes ela acontece no novo prédio que a paróquia está construindo com o dinheiro arrecadado gentilmente pelos idosos que, em sua maioria, contribuem para manter aquelas portas sempre abertas.
Para todos que freqüentam esse local sagrado, ou pela existência de Deus ou pela fé e esperança que ali circula e permanece sempre, esse evento parece único, pois é naquele ambiente em que as pessoas vão para pedir, agradecer, orar, refletir.
Para essas pessoas que já viveram, no mínimo, sessenta anos de idade… A igreja parece ser muito mais que um espaço religioso… Ela parece ser um reencontro, uma salvação.
Dia da missa: 25/05/2008
Local: Igreja da Nossa Senhora Desatadora dos Nós – Campinas
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