Envelhecer era sinônimo de perda e isolamento social. Ainda que tenha mudanças fisiológicas, hoje o envelhecimento não é encarado como um declínio, mas como uma idade capaz de manter-se ativa intelectualmente e socialmente. A consciência e a vontade de permanecer ativa, faz a terceira idade buscar atividades que as mantêm na sociedade, uma das formas encontradas é à volta para as salas de aulas.
Segundo Elizandra Villela, mestre em gerontologia, uma vez que a pessoa continua produtiva, estimulando o cérebro, ela mantem independências funcionais, capazes de realizar o seu auto cuidado. Isso faz com que tenham mais força para enfrentar os desafios da vida e suas condições de saúde. “Por mais que a pessoa tenha algumas perdas neuronais, o mais importante é a comunicação entre eles, é o percurso cognitivo e intelectual que a pessoa faz, por isso que é importante a pessoa se manter ativa” – Contou Elizandra.
Para Lucy Oliveira, o aprender não tem limites. Aos 48 anos, viúva e com seis filhos, ela resolveu fazer uma faculdade de pedagogia. “Eu resolvi voltar a estudar, pois sem experiência nenhuma de trabalho, eu tinha que ter mais estudo” – Afirmou ela. Hoje aos 70 anos, aposentada á um ano, faz natação, computação e acabou de se inscrever em um curso que aprenderá a arte de contar histórias para deficientes visuais. “Agora não necessariamente com o objetivo de trabalhar para ganhar dinheiro, porque eu tenho a minha aposentadoria, mas de continuar fazendo parte da população que produz, que colabora” – disse ela.
Manter a memória ativa na velhice é um dos pontos mais importantes para um bom desempenho intelectual. “A leitura é muito importante, principalmente leitura de livros de ficção, porque a pessoa imagina aquela cena na mente dela e ela exercita muita a imaginação”.- explica a gerontóloga.
Segundo o IBGE, hoje totaliza quase 15 milhões de pessoas idosas no país, a estimativa para os próximos 20 anos é de que esta população poderá exceder 30 milhões de pessoas. Cresce também o numero de cursos para atender a essa demanda, é o caso da Universidade da Terceira Idade desenvolvida pela PUC-Campinas, já conta com 2400 alunos desde 1990 e tem como objetivo estimular a reinserção social. Jeanete Liasch, coordenadora do projeto afirma que os alunos não buscam a universidade para se inserir no mercado de trabalho, mas para buscar sua valorização enquanto cidadão. “Ele precisa se sentir útil, ele precisa ser produtivo, mas do ponto de vista cultural, do ponto de vista social”. – conclui ela.
O corpo envelhece, mas a sensação de vencer obstáculos fica maior de acordo com os limites. “Vitória” é a palavra escolhida por Lucy.

Está ficando bom. Procurem organizar os artigos de tal modo que a identidade (ou identidades) possam ser percebidas. Em algumas situações, pode ser interessante contrapor perspectivas “externas” (como a definição do IBGE) às perspectivas internas, dos próprios grupos estudados empiricamente.